terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Dr Nelson Jacintho e o Ano Novo

  

 Ano Novo

    Lá vem ele alegre e sorridente como um menino travesso, cheio de novas idéias e casos para contar  para todos os que o esperam com  muita alegria, muita esperança, embora alguns de nós, ainda tenhamos alguma desconfiança, alguma dúvida, mas sem deixar  de lado a esperança! Tudo isto porque ele é um moleque travesso que tem mil idéias na cabeça e pronto para jogá-las sobre nós sem nenhuma cerimônia! Menino ainda, sem experiência, com muita teoria, mas sem nenhuma prática. Apesar de sua alegria, ele ainda desconfia do seu próprio futuro! Ele está como aquele médico recém-formado que acabou de receber o diploma, está autorizado para atender o seu primeiro paciente, mas ainda teme por  sua conduta e pela sorte do paciente. Ele tem algum temor, mas isso não o impede de vir pulando de estrela em estrela, de planeta em planeta, de satélite em satélite, de nuvem em nuvem! Passou pelo sol e pegou o dourado de seus raios! Pela lua e pegou o prateado do luar da lua cheia!  Pelo  céu límpido e recebeu o reflexo da luz das águas do oceano! Pegou a suavidade da brisa da tarde e a grandiosidade do amanhecer, e veio vindo pulando como um  moleque hiperativo!
Teve doze meses para preparar a viagem, mas deixou para aprontar as malas nos últimos dias do mês de dezembro! Até dezembro vivia sossegado no seu jardim celeste rodeado de flores e perfumes das mais variadas espécies! Recebia os deuses do Olimpo anotando todos os pedidos para serem colocados em prática quando estivesse sentado  no seu trono com sua coroa sobre a cabeça! Vivia feliz porque era o senhor do deus que comanda a vida: o tempo! O tempo é o seu servidor principal e a ele é dado todo o poder sobre o mundo! Quando dezembro chegou, o tempo veio prestimosamente lhe dizer que estava na hora de arrumar as malas para partir.
   O tempo, prestador fiel e intermediário das ações, enquanto o ajudava a arrumar as malas previne-o de alguns problemas que estava visualizando na terra! Apesar dos terráqueos estarem esperando-o com grande alegria e glória, alguns, que recebiam o nome de comerciantes ou de lojistas, faziam de tudo para que ele se atrasasse por mais uns dias! Eles achavam que se ele atrasasse, a venda aumentaria e o lucro certamente dobraria!Ele ouviu o tempo, mas certamente não lhe deu muita atenção! Acabou de arrumar as malas e, de braços dados com ele, iniciou a viagem triunfante! Nada os fez parar! Nenhuma nuvem rabugenta e grávida de água lhes foi obstáculo! Nenhum arco-íris, por mais multicor que fosse os fizeram parar para admirá-lo! Nenhum raio arrasador e medonho lhes impediu a caminhada!Eles chegaram exatamente no dia 31 de dezembro, às 24 horas! Que alegria! Quantos fogos! Quantas canções! Quantos gritos de paz! As praias se iluminaram! O mar, cheio de barcos com fogos de artifício iluminou as águas, a terra, os edifícios e grande parte do céu! Que quadro maravilhoso! Que alegria estampada na face dos homens! Estavam em paz! Pareciam crianças...
Vamos todos pular juntos com o menino travesso que acabou de chegar! Vamos lhe dar boas novas! Vamos desejar aos nossos irmãos muita paz e alegria!
Não vamos deixar que o menino travesso se ausente de nós! Afinal de contas a cada dia que amanhece em nossa vida há um Ano Novo para ser comemorado!


                                   Nelsdon Jacintho é médico e escritor

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Eliane Ratier e o Ano Novo


Desejos de Ano Novo

" Desejo que você seja feliz com o que o cerca.
E que, o que o cerca, baste e sobre
para que você tenha a alegria de partilhar.
Se assim não for, eu lhe desejo
coragem e vontade para chegar lá.

Eu lhe desejo o bem
para que você o faça e o receba.
Desejo paz, saúde, alegria e amor.
Que sua felicidade aconteça
seja lá como for.

E desejo também, que a beleza o atinja
como profunda emoção,
para que você viva
mas não viva em vão,
pois Deus está nas maravilhas
que percebe o coração."

domingo, 29 de dezembro de 2013

Mara Senna e o Ano Novo

Sempre é tempo de Ano Novo... - Mara Senna


Ano Novo é tempo que começa no coração.
Não precisa ser no primeiro dia do ano...
É quando a acorda e decide que quer viver
da melhor maneira possível,
incluindo aí a certeza de que nem sempre
as coisas vão sair como se tinha imaginado.
 Às vezes, fica difícil realizar a proposta
Sim, porque tentar a gente tenta,
mas muitas vezes esbarramos em nós mesmos.
Ano Novo é o tempo em que se constata
que dentro de nós habitam o humano imperfeito
e o divino perfeito, convivendo e se tolerando.
O erro anda de mãos dadas com o perdão.
A desesperança abraça a esperança,
a tristeza a abraça a alegria,
a realidade abraça o sonho.
Se o corpo está doente, pede saúde,
se a alma está pesada, pede leveza.
Todo mundo, no fundo, só quer amar e ser amado.
A felicidade é sempre um estado a se almejar.
Alcança-la de todo, ultrapassa a nossa capacidade.
Mas só o desejo de ser feliz nos move
e nos faz desejar um Feliz Ano Novo,
seja ele em que data for.

Mara Senna
(Texto publicado no meu blog em 2011)
 

Feliz todo dia de todo ano! 

sábado, 28 de dezembro de 2013

Rita Mourão e o Ano NOvo

             




 ANO NOVO
                        Rita Mourão
Ano Novo flameja de alegria,
lateja de esperança e tem cheiro de jasmim.
Ano Novo é assim, um pacote misterioso,
que chega somando as   distâncias dos séculos sem fim.
Ele se abre de mansinho deixando pelas curvas dos caminhos
as surpresas da sua passagem.
E nos desertos de muitos  eus
o  Ano Novo derrama o frescor do recomeço
apaziguando a secura, semeando sonhos, reverdejando esperanças.
Para que o Ano Novo seja novo de verdade
é preciso aguçar os sentimentos  e atender ao chamado
das promessas de um novo tempo.
Tempo de espera, afirmação do tempo que  chega
no tempo que está passando.
Seja receptivo.
É dentro de você que o Ano Novo  se faz novo, cresce ,
abre as asas e alça o voo de arribação
em busca de novas conquistas.
É dentro de você que o Ano Novo acontece
e se faz verdadeiramente  novo!


Feliz 2014 aos amigos e companheiros de sonhos

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Votos de Boas Festas da UBE

Boas Festas

A UBE deseja a todos seus associados Boas Festas!
Imagem ilustrativa19.12.2013
A você, associado e amigo da UBE - União Brasileira de Escritores, que esteve conosco neste ano que termina, apoiando nossas lutas e rejubilando-se com nossas conquistas, desejamos que nosso trabalho de semeadura represente frutos de prosperidade e paz no ano vindouro. A UBE continua precisando de você. Participe! 
Que até as dificuldades sirvam de aprendizado e de incentivo para novos e maiores desafios rumo ao sucesso. E que seus projetos e sonhos ganhem asas e as condições necessárias para se transformarem em realidade.
A UBE - União Brasileira de Escritores agradece a confiança e a parceria.
Boas festas a todos!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Ely Vieitez Lisboa e suas palavras sobre o Natal

PALAVRAS AO DEUS MENINO
(*)Ely Vieitez Lisboa

Ah, Jesus Cristinho, dia 25 é teu aniversário. Vê como as ruas estão aparentemente alegres, muito coloridas. Nas casas do alto da cidade há arranjos de luzes nos jardins suntuosos. Dentro das mansões, grande é o movimento, compras foram feitas, sofisticados menus são preparados. Em nome da união das famílias comer-se-á, beber-se-á em demasia, brinquedos caríssimos serão dados a crianças fortes, bem fornidas, enfastiadas de tantas guloseimas. Orações automáticas serão feitas às pressas, se feitas, porque o comer e o beber atiçam a vontade de todos. É uma festa gastronômica, de glutões, há exageros e desperdícios. Alimenta-se o corpo e deixa-se morrer à míngua o espírito.
Ah, meu Cristinho, como o homem distorce os teus desejos. Nasceste pobre, de família humilde, cobriste o teu corpo com apenas o necessário, calçaste teus pés com sandálias. Quando querias reunir teus Apóstolos, teus amigos, tu o fazias com simplicidade, sem alarde nem abastança. Deste um dia uma grande festa, a mais bela, onde multiplicaste pães e peixes para a multidão faminta, mas foi em campo aberto, junto ao povo, servindo o alimento essencial. Fora isto, banqueteavas os grandes grupos, os aglomerados, com sabedoria, com parábolas, servindo a Palavra como alimento maior. 
Dizem que não sorrias nunca, estavas sempre atento e lúcido, porque sabias (e como sabias!), que a vida é luta, é tristeza, é trabalho. Eras doce e manso, compreensivo e antipreconceituoso, aceitavas os pecadores, dando-lhes o perdão, entendendo suas faltas. E que fazem os homens, Cristozinho bom e amável, depois de tantas lições recebidas? São irascíveis, guerreiam, odeiam, julgam, condenam, discriminam, separam. Há vencedores e vencidos, opressores e oprimidos, ricos e pobres.
Ah, meu querido Menino, por que te digo tudo isto, no teu aniversário, como se tu já não soubesses? Eu também erro tanto, troco meus passos, cometo pecados e deveria hoje falar só de coisas boas. Rezar para ti, oferecer-te, não ouro, incenso ou mirra, mas flores, pássaros, borboletas e crianças. Queria te dar uma boa nova, dizendo-te: Vê, os homens criaram juízo, ouviram seus corações, refizeram seus caminhos, aprenderam a amar. Já não há mais guerra, nem ódio, nem fome, nem violência. Todas as crianças são amadas, bem alimentadas e tratam-se os animais com respeito e carinho. Já não se violenta mais a Natureza e o homem cuida do seu espírito e não só do corpo, amealha riquezas de bondade, de ternura, de altruísmo, erradicou do coração as ervas daninhas da hipocrisia, da brutalidade, da ambição, do orgulho e da injustiça. Coro de vergonha, porque é teu aniversário e nada do que queres posso te dar. Mesmo assim ouso ainda fazer-te um pedido: não fiques zangado, não te entristeças, não penses em castigar-nos. Perdoa-nos mais uma vez. 
E um dia teremos, finalmente, em outro aniversário teu, um verdadeiro Natal.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Mara Senna nos traz Rubem Alves e Alberto Caieiro

CRÔNICA DE NATAL (com o poema de Aberto Caieiro)
Rubem Alves 

Minhas netas: o Natal está chegando. Todo mundo fica agitado, é preciso comprar presentes no cartão de crédito, fazer dívidas a serem pagas no outro ano, preparar comilanças... Mas, afinal de contas, por que tanto agito? Eu acho que a maioria se agita sem saber porque. E, se soubessem, não se agitariam... Pois eu vou dizer o que penso do por que do Natal. O Natal é o dia em que se para tudo a fim de se contar e a fim de se ouvir uma estória, a mais bela e a mais simples jamais contada. Todo esse agito por causa de uma estória? É.

Vocês, que gostam do Harry Potter, fiquem sabendo: a estória do Natal é uma estória do mundo dos mágicos, dos bruxos, das fadas, das varinhas de condão, dos encantamentos. As estórias têm poderes mágicos. Vocês já notaram que, quando a gente ouve uma estória que nos comove, ela entra dentro da gente, faz a gente rir, faz a gente chorar, faz a gente amar, faz a gente ficar com raiva? As estórias dos mundos dos mágicos saltam das páginas dos livros onde estão escritas, entram dentro da gente e se alojam no coração.

Quando isso acontece a estória fica viva, toma conta do nosso corpo e da nossa alma, e nós passamos a ser parte dela. Pois a estória do Natal faz isso com a gente. Quando vai chegando o Natal eu fico com saudade das músicas antigas de Natal (tem de ser das antigas; as modernas não servem) e começo a folhear meus livros de arte, onde estão as pinturas do presépio. É muito simples: um menininho que nasceu em meio aos bois, vacas, ovelhas, cavalos, jumentos... Era menininho pobre.

Mas diz a estória que quando ele nasceu aconteceu uma mágica com o mundo: tudo ficou diferente: as árvores se cobriram de vaga-lumes, as estrelas brilharam com um brilho mais forte, e até uns reis deixaram os seus palácios e foram ver o nenezinho. A visão do menininho os transformou: eles largaram suas coroas, joias e mantos de veludo junto com os bichos, na estrebaria. Quem vê o menininho fica curado de perturbação. Perturbados são os adultos que, ao falar sobre Deus, imaginam um ser muito grande, muito poderoso, muito terrível, ameaçador, sempre a vigiar o que fazemos para castigar.

Pois o Natal diz que isso é mentira. Porque Deus é uma criancinha. Ele está muito mais próximo de vocês do que dos adultos. E foi essa mesma criancinha que, depois de crescida, disse que para estar com Deus bastava voltar a ser criança. Se os adultos, antes de comprar presentes e preparar ceias, se lembrassem da estória, eles ficariam curados da sua doidice. Na noite do Natal que se aproxima, antes de abrir os presentes, antes de começar a comedoria, peça ao seu pai ou à sua mãe: “Por favor, conte a estória do menininho...“ E, se eles não souberem contar, peça que eles leiam esse poema sobre o Menino Jesus escrito por um poeta que queria ser menino, por nome de Alberto Caeiro.

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver.
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro.
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta.
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales.
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
 
Feliz Natal, queridos amigos!
Muita paz em 2014!
abraços


Mara

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cecília Figueiredo nos traz Drummond

Organiza o Natal
Carlos Drummond de Andrade

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Eliane Ratier e as Notícias Poéticas de dezembro



Em dezembro, os abraços tem sabor de adeus.
Lamentamos as separações, mesmo que momentâneas.
Vivemos tempos intensos de emoção incontida.
Nossos olhos são matéria líquida.
A agenda de 2014 está aberta e sendo preenchida.
É tudo uma questão de data.
Há uma certa irritação com a convenção de consumir, mas entendo.
Gosto de festa, do bom da festa.
Então recolho a parte que me cabe, usufruo  e faço parte.
Torço pelas noites azuis salpicadas de estrelas e alguma paz para aproveitá-las.
Torço pela nossa felicidade, de todos nós.
Feliz Natal.

É tempo de Advento
O anúncio da Criança
que salva o mundo

É tempo de Gratidão
pelo que nos foi permitido viver
 pelo milagre da vida

É tempo de celebrar
a coragem, as conquistas
o novo

É tempo de balanço
da imorredoura esperança
dos planos e sonhos

É tempo de pensar sobre o sentir
De purificar o coração
De desfrutar belezas

É tempo para mim
Tempo para você
Tempo de sorrir e agradecer
pois o futuro nos espreita
brilhando que nem estrela
Oferecendo os braços
pedindo colo,
e tem pressa
 É bom estar pronto.



Elisa Alderani e sua mensagem de Natal



MAIS UM NATAL

Vamos somar em nossas vidas mais um Natal!
Para alguns ainda são poucos, para outros são mais...
Para os muitos que já passaram guardamos lembranças,
Nem sempre alegres, nem sempre tristes.
Agora esperamos o novo Natal.
Preparamos nossos corações decorados com o Amor,
Pois, por fora a felicidade brilha nas vitrines...
Tão efêmera como a luz.
Passado o Natal se apaga na rotina de nossa vida.
Preparamos nosso Presépio com a família unida, nas confraternizações.
Com os amigos, sejam os novos que os antigos.
Colocamos nos nossos lábios o sorriso sincero,
As palavras saiam do coração...
Tirando as máscaras da vaidade e do orgulho...
Ao final somos todos iguais, feitos do mesmo barro.
Mas, edificados pela Graça do Jesus Menino!
Ele assumiu nosso semblante para nos dizer:
Coragem! Nasça de novo!
É... Mais um Natal! É tempo de restaurar o coração! 
Seremos mais dignos!
Á frente da manjedoura em adoração!
Pedimos com Amor...
Sabedoria e Humildade...
Encontraremos a verdadeira Felicidade!


Feliz Natal 2013


Elisa Alderani